Alan Turing
A máquina que pensava e o homem que ninguém leu
- Nascimento
- 23 de junho de 1912
- Falecimento
- 7 de junho de 1954
- Nacionalidade
- Britânica
- Atuou como
- Matemático, Criptógrafo, Computadorista
Idade ao falecer
41 anos
- Nascimento
- 23 de junho de 1912
- Falecimento
- 7 de junho de 1954
- Nacionalidade
- Britânica
- Profissões
- Matemático, Criptógrafo, Computadorista
Carreira e marcos
- 1936
Publica "On Computable Numbers", onde descreve a maquina que sustenta seu argumento sobre a mente.
- 1938
Entra em Bletchley Park, o centro britanico de quebra de codigos.
- 1939
Prova que a Enigma tem uma falha estrutural: nunca codifica uma letra como ela mesma.
- 1940
A Bombe, a maquina eletromecanica dele, começa a varredura de possibilidades em paralelo.
- 1945
Escreve o relatorio de projeto do ACE, o primeiro projeto de computador de uso geral com memória.
- 1950
Publica "Computing Machinery and Intelligence", o texto que batiza o teste de Turing.
- 1951
Previsa, em carta a BBC, um computador que aprende a jogar xadrez contra humanos.
Saúde e causa da morte
- Castracao química aceita voluntariamente Fevereiro de 1954
Causa da morte
ConfirmadaEnvenenamento por cianeto, registado como suicidio. A família contesta essa versão, e a Scotland Yard reabriu o caso em 2009 sem alterar a conclusao oficial.
Fonte: Inquest reaberto pela Scotland Yard (2009) e campanha pública da família, com a irmã Joan Turing e o sobrinho John Turing.
Este site não diagnostica nem especula sobre saúde de ninguém. Se a causa não foi confirmada por fonte oficial, isso é dito de forma explÃcita.
O garoto que lia física por diversão
Alan Mathison Turing nasceu em 23 de junho de 1912, em Maida Vale, Londres. Filho de um burocrata do governo colonial, entrou na escola Sherborne aos doze anos — e os arquivos da escola registram uma nota sobre ele que antecipa o resto da vida: "aqui é um desconcertante garoto, sem ambição, que atrapalha os colegas".
Turing não era lento. Era autodidata obsessivo. O que lhe interessava não era a escola, e sim a pergunta que formulou sozinho, ainda adolescente: existe uma máquina que pensa?
Ele não tinha a palavra "computador" para descrever isso. Usava "máquina pensante", e passou a vida provando que ela existia.
Bletchley Park: quebrar o que não podia ser quebrado
Em 1938, a Alemanha nazista adotou a máquina Enigma para cifrar comunicações militares. O sistema tinha 159 quatrilhões de combinações possíveis por dia — número considerado impossível de quebrar por mãos humanas.
Turing chegou a Bletchley Park em 1938. Em 1939, provou que o sistema Enigma tinha uma falha estrutural: a máquina nunca codificava uma letra como ela mesma. Isso reduzia o problema de "combinar o universo" para "achar uma frase plausível" — enumerable, com paciência.
Em dezesseis meses, Turing construiu a Bombe, uma máquina eletromecânica que varria as possibilidades em paralelo. Não havia computador antes disso.
Nota importante: Turing não decifrou a Enigma sozinho. O time incluía também Gordon Welchman e uma equipe de mulheres que a história demorou décadas para reconhecer — entre elas Joan Clarke, e centenas de operatoras do WRNS (Women's Royal Naval Service). Turing é o nome mais conhecido, não o único.
O que Bletchley Park provou: sem aquele trabalho, a guerra no Ocidente podia durar anos a mais, com centenas de milhares de histórias diferentes.
O teste que virou o nome da inteligência artificial
Em 1950, Turing publicou "Computing Machinery and Intelligence" e fez uma aposta: em vez de definir se máquinas pensam, verificar se elas conseguem se passar por humanas.
Uma máquina ficaria atrás de uma cortina. Um humano conversaria com ela sem saber. Se as respostas fossem indistinguíveis, então, segundo Turing, a pergunta estaria resolvida — e chamar aquilo de "pensamento" seria apenas convenção de linguagem.
O texto original dizia que, se a máquina vencesse, seria "o começo de uma era que acabaria com o relacionamento entre homens e máquinas". Ele acertou sobre a era. Sobre o resto, escreveu cedo demais.
1954: o que aconteceu depois
Em janeiro de 1954, Turing foi condenado por "indecência grave" — crime na Reino Unido até 1967 — apenas por ser homossexual. A escolha entre prisão e castração química: ele escolheu a castração.
Morreu em 7 de junho de 1954, aos 41 anos. A morte foi registada como suicídio por envenenamento por cianeto; a investigação reaberta em 2009 não encontrou provas de que fosse outra coisa. Quem reabriu o caso foi a irmã dele, Joan Turing. O sobrinho John Turing, que tinha 17 anos quando o tio morreu, continuou a campanha e conseguiu o perdão em 2013.
Cuidado com o que se lê sobre isso. Histórias sobre um cifrador de guerra supostamente enganado pelo próprio serviço de inteligência não têm lastro em documento e não deveriam entrar num blog sem citação da família. O que dá para afirmar com segurança: as evidências não sustentam a versão oficial.
O reconhecimento que levou 60 anos
| Ano | O que aconteceu |
|---|---|
| 2009 | A família pede a reabertura do caso; a Scotland Yard reabre a investigação |
| 2013 | Lei do Perdão a Turing — perdão oficial do governo britânico |
| 2017 | "Apology to Alan Turing" — pedido público de desculpas do primeiro-ministro |
| 2021 | Seu rosto entra na nota de £50 do Banco da Inglaterra |
A lei de 2013 tem um nome próprio: Turing's Law, que torna ilegal retroativamente o que o próprio Estado fez. É uma das poucas vezes em que um parlamento decreta, por escrito, que errou — e pede desculpas.
O que ele não conseguiu ver
Turing também trabalhou em biologia e morfogênese, tentando provar que padrões da natureza — listras de girassol, pontas de dedos, manchas de peles — podiam ser descritos por uma máquina. Ele publicou uma equação famosa em 1952 e, no mesmo ano, morreu.
E o mais triste: em 1951, Turing escreveu à BBC sobre máquinas de jogar xadrez, prevendo que um computador aprenderia estratégias e jogaria contra humanos. Em 1997, o Deep Blue venceu Kasparov. Quarenta e seis anos depois.
Por que essa história ainda importa
Turing não inventou a computação — herdou a lógica booleana de Shannon e os planos de Babbage e Ada. Ele inventou a pergunta: como testamos se uma máquina pensa?
E ao pagar com a vida por ter feito essa pergunta, deixou um problema ético que a indústria ainda não resolveu: o que fazemos com as pessoas que constroem essas máquinas?
Se você ler só uma coisa, leia a biografia de Andrew Hodges. Depois reassista The Imitation Game (2014) e perceba quanto do que ele inventa.
Livros para ir além
- Turing e a máquina pensante — Nilson Blocking. A referência em português, fluida e bem escrita.
- Alan Turing: The Enigma — Andrew Hodges. O livro acadêmico que originou toda a narrativa moderna sobre ele.
(Os links de afiliado desta seção entram aqui quando a conta Amazon Afiliados for criada.)
Fontes consultadas
Encontrou um erro ou uma informacao imprecisa? Escreva para contato. Corrigimos e registramos a alteracao no topo do texto.
Leia tambem
Ver todosMarie Curie
Física · Química
Marie Curie descobriu dois elementos quimicos e foi a primeira pessoa a ganhar um Nobel duas vezes. Seus cadernos ainda brilham no escuro - e ainda são radioativos.
Steve Jobs
Empreendedor · Designer de produto
Steve Jobs foi expulso da própria empresa em 1984 e voltou em 1997, anos depois de virar o responsável pelo iPhone. A história oficial apaga um terco da vida dele.
Ayrton Senna
Piloto de Fórmula 1
Ayrton Senna morreu num GP em 1994, no mesmo dia em que corria o Grande Prémio do Brasil em São Paulo. Três vezes campeao do mundo e o mais humano da Fórmula 1.