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Ciencia

Alan Turing

A máquina que pensava e o homem que ninguém leu

Nascimento
23 de junho de 1912
Falecimento
7 de junho de 1954
Nacionalidade
Britânica
Atuou como
Matemático, Criptógrafo, Computadorista
Por Redação Arquivo Mortal Atualizado em 4 de outubro de 2026

Idade ao falecer

41 anos

Nascimento
23 de junho de 1912
Falecimento
7 de junho de 1954
Nacionalidade
Britânica
Profissões
Matemático, Criptógrafo, Computadorista

Carreira e marcos

  1. 1936

    Publica "On Computable Numbers", onde descreve a maquina que sustenta seu argumento sobre a mente.

  2. 1938

    Entra em Bletchley Park, o centro britanico de quebra de codigos.

  3. 1939

    Prova que a Enigma tem uma falha estrutural: nunca codifica uma letra como ela mesma.

  4. 1940

    A Bombe, a maquina eletromecanica dele, começa a varredura de possibilidades em paralelo.

  5. 1945

    Escreve o relatorio de projeto do ACE, o primeiro projeto de computador de uso geral com memória.

  6. 1950

    Publica "Computing Machinery and Intelligence", o texto que batiza o teste de Turing.

  7. 1951

    Previsa, em carta a BBC, um computador que aprende a jogar xadrez contra humanos.

Saúde e causa da morte

  • Castracao química aceita voluntariamente Fevereiro de 1954

Causa da morte

Confirmada

Envenenamento por cianeto, registado como suicidio. A família contesta essa versão, e a Scotland Yard reabriu o caso em 2009 sem alterar a conclusao oficial.

Fonte: Inquest reaberto pela Scotland Yard (2009) e campanha pública da família, com a irmã Joan Turing e o sobrinho John Turing.

Este site não diagnostica nem especula sobre saúde de ninguém. Se a causa não foi confirmada por fonte oficial, isso é dito de forma explícita.

O garoto que lia física por diversão

Alan Mathison Turing nasceu em 23 de junho de 1912, em Maida Vale, Londres. Filho de um burocrata do governo colonial, entrou na escola Sherborne aos doze anos — e os arquivos da escola registram uma nota sobre ele que antecipa o resto da vida: "aqui é um desconcertante garoto, sem ambição, que atrapalha os colegas".

Turing não era lento. Era autodidata obsessivo. O que lhe interessava não era a escola, e sim a pergunta que formulou sozinho, ainda adolescente: existe uma máquina que pensa?

Ele não tinha a palavra "computador" para descrever isso. Usava "máquina pensante", e passou a vida provando que ela existia.

Bletchley Park: quebrar o que não podia ser quebrado

Em 1938, a Alemanha nazista adotou a máquina Enigma para cifrar comunicações militares. O sistema tinha 159 quatrilhões de combinações possíveis por dia — número considerado impossível de quebrar por mãos humanas.

Turing chegou a Bletchley Park em 1938. Em 1939, provou que o sistema Enigma tinha uma falha estrutural: a máquina nunca codificava uma letra como ela mesma. Isso reduzia o problema de "combinar o universo" para "achar uma frase plausível" — enumerable, com paciência.

Em dezesseis meses, Turing construiu a Bombe, uma máquina eletromecânica que varria as possibilidades em paralelo. Não havia computador antes disso.

Nota importante: Turing não decifrou a Enigma sozinho. O time incluía também Gordon Welchman e uma equipe de mulheres que a história demorou décadas para reconhecer — entre elas Joan Clarke, e centenas de operatoras do WRNS (Women's Royal Naval Service). Turing é o nome mais conhecido, não o único.

O que Bletchley Park provou: sem aquele trabalho, a guerra no Ocidente podia durar anos a mais, com centenas de milhares de histórias diferentes.

O teste que virou o nome da inteligência artificial

Em 1950, Turing publicou "Computing Machinery and Intelligence" e fez uma aposta: em vez de definir se máquinas pensam, verificar se elas conseguem se passar por humanas.

Uma máquina ficaria atrás de uma cortina. Um humano conversaria com ela sem saber. Se as respostas fossem indistinguíveis, então, segundo Turing, a pergunta estaria resolvida — e chamar aquilo de "pensamento" seria apenas convenção de linguagem.

O texto original dizia que, se a máquina vencesse, seria "o começo de uma era que acabaria com o relacionamento entre homens e máquinas". Ele acertou sobre a era. Sobre o resto, escreveu cedo demais.

1954: o que aconteceu depois

Em janeiro de 1954, Turing foi condenado por "indecência grave" — crime na Reino Unido até 1967 — apenas por ser homossexual. A escolha entre prisão e castração química: ele escolheu a castração.

Morreu em 7 de junho de 1954, aos 41 anos. A morte foi registada como suicídio por envenenamento por cianeto; a investigação reaberta em 2009 não encontrou provas de que fosse outra coisa. Quem reabriu o caso foi a irmã dele, Joan Turing. O sobrinho John Turing, que tinha 17 anos quando o tio morreu, continuou a campanha e conseguiu o perdão em 2013.

Cuidado com o que se lê sobre isso. Histórias sobre um cifrador de guerra supostamente enganado pelo próprio serviço de inteligência não têm lastro em documento e não deveriam entrar num blog sem citação da família. O que dá para afirmar com segurança: as evidências não sustentam a versão oficial.

O reconhecimento que levou 60 anos

Ano O que aconteceu
2009 A família pede a reabertura do caso; a Scotland Yard reabre a investigação
2013 Lei do Perdão a Turing — perdão oficial do governo britânico
2017 "Apology to Alan Turing" — pedido público de desculpas do primeiro-ministro
2021 Seu rosto entra na nota de £50 do Banco da Inglaterra

A lei de 2013 tem um nome próprio: Turing's Law, que torna ilegal retroativamente o que o próprio Estado fez. É uma das poucas vezes em que um parlamento decreta, por escrito, que errou — e pede desculpas.

O que ele não conseguiu ver

Turing também trabalhou em biologia e morfogênese, tentando provar que padrões da natureza — listras de girassol, pontas de dedos, manchas de peles — podiam ser descritos por uma máquina. Ele publicou uma equação famosa em 1952 e, no mesmo ano, morreu.

E o mais triste: em 1951, Turing escreveu à BBC sobre máquinas de jogar xadrez, prevendo que um computador aprenderia estratégias e jogaria contra humanos. Em 1997, o Deep Blue venceu Kasparov. Quarenta e seis anos depois.

Por que essa história ainda importa

Turing não inventou a computação — herdou a lógica booleana de Shannon e os planos de Babbage e Ada. Ele inventou a pergunta: como testamos se uma máquina pensa?

E ao pagar com a vida por ter feito essa pergunta, deixou um problema ético que a indústria ainda não resolveu: o que fazemos com as pessoas que constroem essas máquinas?

Se você ler só uma coisa, leia a biografia de Andrew Hodges. Depois reassista The Imitation Game (2014) e perceba quanto do que ele inventa.

Livros para ir além

  • Turing e a máquina pensante — Nilson Blocking. A referência em português, fluida e bem escrita.
  • Alan Turing: The Enigma — Andrew Hodges. O livro acadêmico que originou toda a narrativa moderna sobre ele.

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Fontes consultadas

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